Radiofrequências (RF) é o nome dado a ondas do espectro electromagnético compreendidas entre 3 kHz a 300 GHz, e é através delas que as torres de telecomunicações enviam e recebem informação dos nossos telemóveis e outros gadgets móveis.

Nos anos 80 começámos com a Geração 1 (1G), mas à medida que o número de aparelhos foi aumentando, e com informação cada vez mais pesada a necessitar de ser transmitida, a tecnologia teve de evoluir para acompanhar essas necessidades. À medida que as gerações das torres de telecomunicações foram evoluindo da 1G até à 4G LTE, as velocidades de transmissão foram aumentando, juntamente com a necessidade de recorrer a ondas de rádio cada vez mais elevadas em frequência.

Com a tecnologia 5G, irá dar-se um novo salto tanto em termos de velocidade oferecida como nas frequências das ondas rádio utilizadas.

Qual é o problema de recorrer a ondas de rádio mais elevadas?A lógica é esta:

  1. Frequências Mais Elevadas = Ondas com um comprimento menor;
  2. Ondas com um comprimento menor = Maior Dificuldade em Viajar Longas Distâncias;
  3. Conclusão: mais torres 5G serão necessárias do que as que eram com a tecnologia 4G. Muitas mais.

Quantas mais? Bem, digamos que provavelmente iremos ver torres 5G em todas as ruas.

Qual é o problema disso? O problema reside numa lei da Física chamada o Inverso Do Quadrado da Distância, que nos diz que ao reduzirmos para metade a distância de uma fonte emissora de radiação, então ficaremos expostos a 4x mais radiação. Ou seja, à medida que nos aproximamos de uma fonte emissora de radiação (ou ela de nós) os níveis de radiação a que estamos expostos aumenta exponencialmente. Por exemplo:

Distância do EmissorNível de Radiação
1000 m1x
500 m 4x
250 m 16x
125 m 64x

À medida que as torres 4G se encontram a uma distância razoável da maioria da população, as torres 5G irão estar muito perto de toda a gente. E isso pode ser um problema.

Perigos das RF

Os perigos da tecnologia 5G não foram devidamente estudados ainda, mas há alguns estudos relativos às tecnologias de telecomunicações mais antigas.

O mais compreensivo foi o estudo INTERPHONE que analisou mais de 5000 casos e encontrou correlações entre uma forte exposição à radiação de telemóvel e desenvolvimento de tumores cerebrais entre os utilizadores de telemóvel há mais de 10 anos.

Embora não exista causalidade comprovada, as correlações estão lá e permanecem inexplicadas.

E fica no ar uma questão: o que acontecerá a essas correlações para aqueles utilizadores que forem utilizar o telemóvel durante toda a sua vida (50, 60, 70 anos de uso)?

Graças a este estudo, a Organização Mundial de Saúde viu-se forçada a reconhecer a existência destas correlações e atribuir à radiação de radiofrequências o estatuto de possivelmente cancerígena nos seres humanos.

Existe este estudo que mostrou que expor ratos de laboratório a níveis legalmente aceites de radiofrequências durante 19 horas por dia resulta num aumento estatisticamente significativo nas incidências de tumores cardíacos nos machos.

Mas, mais importante, existe este estudo, que encontrou fortes correlações entre viver a menos de 400 metros de uma torre de telecomunicações e um aumento de 3x nas incidências de cancro entre esses residentes. Cito a parte final da conclusão:

“(…) já não é mais possível continuar a assumir, com segurança, que não há ligação causal entre transmissão de radiofrequências e aumento das taxas de cancro.”

Todos estes estudos referem-se às tecnologias que precedem a 5G. Mas há particularidades que são exclusivas à 5G.

A Universidade Hebraica de Jerusalém fez uma investigação sobre a tecnologia 5G e a sua interação com o corpo humano. A conclusão a que esse estudo chegou foi a de que as nossas glândulas sudoríparas possuem uma forma geométrica e um tamanho que, ao interagir com ondas electromagnéticas 5G, que possuem comprimentos de onda compatíveis, funcionam como antenas receptoras. A Universidade levanta questões sobre as possíveis consequências negativas para a saúde humana.

Este sentimento é replicado por vários outros investigadores e cientistas, que apontam a necessidade de se estudar esta tecnologia devidamente antes de implementá-la em larga escala (1)(2).

Mas é Radiação Não-Ionizante…

Se pesquisar na Internet sobre os perigos da radiação 5G irá encontrar quem afirme que esta não é perigosa porque é não-ionizante.

É verdade que é não-ionizante. Ou seja, não contém energia suficiente para roubar iões aos nossos átomos, o que seria prejudicial para a nossa saúde, provocando cancro. Exemplo de radiação electromagnética ionizante é da luz solar forte ou raios-x.

Para além disso, a indústria das telecomunicações determina que a radiação electromagnética dos nossos gadgets é segura porque, para além de ser não-ionizante, não gera calor suficiente para ser perigosa.

Ora, se estamos a lidar com radiação não-ionizante que gera pouco calor, então não há mais nada com que nos preocupar, certo?

Não necessariamente.

Há um outro factor. De facto, se encontrar alguém que o tente convencer que a tecnologia 5G é inofensiva sem fazer menção a esse terceiro factor, então saiba que essa pessoa o está a enganar deliberadamente ou é simplesmente ignorante.

Esse factor reside na forma como a transmissão de sinais de telecomunicações wireless é feita entre dispositivos.

A informação a transmitir (por exemplo, uma chamada telefónica ou um vídeo de YouTube) é codificada usando padrões de onda irregulares e de natureza pulsada.

Estes padrões possuem características que não se encontram presentes naturalmente no meio ambiente. São criados artificialmente pelo homem, e os nossos organismos não evoluíram interagindo com eles.

Esta é a anatomia de uma típica chamada de telemóvel:

Source: http://www.techmind.org/gsm/

O problema é explicado de modo simples pelo repórter B. Blake Levitt no livro Public Health SOS:

A maioria dos seres vivos são muito sensíveis mesmo a ondas electromagnéticas extraordinariamente pequenas. As células vivas interpretam essas exposições como parte das nossas atividades celulares normais (batimentos cardíacos, ondas cerebrais, divisão celular, etc.). O problema é que as exposições eletromagnéticas feitas pelo homem não são “normais”. São artefatos, com intensidades, padrões pulsantes e formas de onda incomuns. E essas ondas artificiais podem afectar as células de várias maneiras negativas.

Se a pesquisa por um repórter não é boa o suficiente para alcançar os seus padrões de qualidade, talvez queira dar uma vista de olhos nos estudos científicos que procuraram pelos efeitos não-térmicos que a radiação não-ionizante tem na biologia humana.

Uma Breve Menção à WiFi

Até agora temos falado de torres de telecomunicações, mas a própria WiFi também pode ser problemática embora não pertença à tecnologia 5G (os routers WiFi 5GHz não são tecnologia 5G, é apenas uma confusa coincidência de nome).

Este estudo fez uma meta-análise de 23 estudos sobre os perigos da WiFi e que apontam para um conjunto de possíveis consequências para a nossa saúde, nomeadamente stress oxidativo; danos testiculares; efeitos neuropsiquiátricos; apoptose; danos ao nível do ADN; alteração do sistema endócrino; e sobrecarga de cálcio.

É necessário referir que esta meta-análise e os 23 estudos referidos nela foram criticados pelo outro do argumento como sendo incompletos, imprecisos e/ou inconclusivos:

“(…) um número de estudos têm reportado acerca dos efeitos da WiFi ao nível biológico mas limitações técnicas tornam-nos difíceis de interpretar. (…) se se é para realizarem estudos relativos aos níveis de exposição da WiFi num contexto relevante para a saúde humana, estes devem ser conduzidos de forma cuidadosa e inteligentemente desenhados. Tais estudos, no entanto, são caros e requerem apoio financeiro adequado.”

Ao contrário das radiações dos telemóveis, que possuem alguns estudos a mostrar correlações muito suspeitas, os perigos no que toca à WiFi não são muito claros a este ponto.

Mas, se populamente se tem tornado aceite que falar com o telemóvel junto ao ouvido ou viver perto de uma torre de telecomunicações é mais perigoso do que dormir ao lado do router WiFi, é importante relembrar que todas elas fazem todas fazem parte da família das ondas eletromagnéticas artificiais.

Mesmo que os estudos atuais que apontam para possíveis perigos da WiFi possam ser criticados por não serem completos o suficiente, mais e melhores testes devem ser feitos. Devido à prevalência da WiFi nas nossas vidas, este é um pedido razoável.

Até lá, até a pesquisa extensiva ser feita a melhor solução é jogar pelo seguro e conectar-nos à Internet via cabo Ethernet.

É Tudo Teoria da Conspiração e Fake News

Uma tecnologia com capacidade de afectar negativamente a vasta maioria da população é certamente combustível para alimentar teorias da conspiração. E há definitivamente quem acredite que é esse o caso, de que o 5G é uma tecnologia criada pelas elites para controlar as massas.

É preciso acreditar que a tecnologia 5G está a ser desenvolvida pelas elites para nos controlar? Não.

A existência da tecnologia 5G é facilmente explicada. Ela é necessária existir para permitir a existência da Internet das Coisas, que é o próximo passo que faz sentido dar do ponto de vista tecnológico.

Nenhum argumento apresentado neste artigo tenta defender qualquer tipo de teoria da conspiração. Até agora ele apenas apresentou estudos científicos e comentários de especialistas.

A adicionar a isso, este artigo também não referiu até agora nenhum tipo de notícia alarmista como aquela que dizia que centenas de pássaros mortos morreram na Holanda devido a testes 5G realizados.

O artigo não fez isso porque essa notícia é fake news e não é preciso recorrer a teorias da conspiração nem a fake news para se ser contra o 5G. Para isso basta a literatura científica relevante.

Cuidado Com a Desinformação

Quem é defensor da tecnologia 5G fá-lo por (1) cepticismo ideológico ou (2) por estar deliberadamente a querer enganar o público.

1. Cepticismo Ideológico

Não há nada de errado em adoptar um boa dose de cepticismo nas nossas vidas. De facto, até se recomenda.

No entanto, há certas pessoas que acabam por se identificar tanto com o cepticismo que baseam toda a sua identidade à volta disso. E quando isso acontece, garantir a sobrevivência dessa identidade torna-se mais importante do que encontrar a verdade. Isto é aquilo que eu chamo de cepticismo ideológico.

Dentro desta categoria, para mim os piores são aqueles canais de YouTube de ciência com centenas de milhares de seguidores, com vídeos com animações, áudio e imagem excelentes, mas que mesmo assim defendem o 5G. Infelizmente os seguidores desses canais não conseguem distinguir entre a qualidade da apresentação da qualidade do conteúdo em si.

Os autores desses vídeos colocam sempre – de forma subtil ou não – o espectador numa de duas categorias: o de ignorante alarmista ou o de teorista da conspiração. E é conveniente assumir isso. Afinal, se é esse o calibre de pessoas que acredita nos perigos do 5G, então é porque o problema não deve ser real e, consequentemente, não requer uma pesquisa muito aprofundada para refutá-lo.

Uma pesquisa pouco aprofundada resulta sempre na repetição da mesma explicação: “o 5G é seguro porque é radiação não-ionizante“. Até hoje, não vi um único desses canais a contra-argumentar, ou sequer referir, o facto de o problema residir na natureza pulsada e irregular das ondas, e não na sua não-ionização.

Um céptico ideológico irá menosprezar estudos que mostram correlações entre radiofrequências e danos biológicos, afirmando que “correlação não implica causalidade”, e contenta-se em deixar essas correlações por explicar.

De facto, os objectivos do céptico ideológico estão tão desalinhados com os da Ciência verdadeira, que os argumentos dos dois são contraditórios. Qualquer estudo científico inconclusivo sobre o assunto termina com a mesma recomendação: “são necessárias mais investigações”. Já o céptico ideológico tenta convencer-nos do contrário: “que está tudo bem, que está provado que estas tecnologias são seguras, que não são necessárias mais investigações.

2. Os Enganadores

Talvez não tenha noção, mas a Internet das Coisas irá revolucionar muito do que existe actualmente, e irá tornar-se numa industria de biliões de dólares.

Com os lucros que se avizinham, aquilo que pode esperar acerca do 5G é o mesmo que aconteceu no passado com outras indústrias (a do tabaco por exemplo), onde a informação apresentada ao público não é transparente – e por vezes é deliberadamente enganadora – e isso não é nada surpreendente. Chama-se a isso conflito de interesses.

Um exemplo claro disso é este website criado pela Verizon onde apresenta os benefícios do 5G, oculta os possíveis riscos, oferece respostas simplistas, e, em última instância, faz a apologia à sua implementação imediata.

O que Fazer?

Se eu fosse optimista diria que deveria fazer a sua voz ouvir-se junto aos seus legisladores. Infelizmente sei que a força económica e os lobbies detrás do 5G tornam esta tecnologia inexorável.

Estar informado sobre os riscos da tecnologia é um bom passo para começar a tomar medidas. Já que a exposição às radiofrequências vai aumentar drasticamente num futuro próximo, podemos começar por reduzir aquela que já se encontra presentemente nas nossas vidas (telemóvel sendo a pior, mas também a WiFi e até mesmo qualquer aparelho wireless que usemos junto ao corpo (lembrar sempre a problemática da Lei do Quadrado da Distância)), e esperar pelo melhor. Algumas medidas a tomar são:

  1. Não falar ao telemóvel com ele encostado ao ouvido. Usar altifalante ou auriculares;
  2. Desligar a WiFi em sua casa e ligar-se antes à Internet através de um cabo de rede.
  3. A usar WiFi, desligue-a sempre de noite quando for dormir.
  4. Não usar aparelhos wireless como ratos, teclados, ou airpods.
  5. Resistir ao máximo às tentações oferecidas por todas as tecnologias smart. Para além de serem autênticas máquinas espias, muitas delas irão certamente exigir conexões 24/7 à rede 5G. Até se tornar impossível recorrer a ela, por imposição externa, evite toda tecnologia 5G o máximo possível, mesmo que isso signifique não aproveitar as conveniências que ela trará.

Finalmente, é partilhar esta informação. Quantas mais pessoas estiverem informadas, talvez mais interesse surja em serem feitos mais estudos sobre as consequências da exposição a esta radiação electromagnética. E quantas mais mentes criativas e empreendedoras estiverem informadas sobre o problema – e quanto mais interesse haja por parte do público consumidor – talvez mais e melhores tecnologias protectoras contra esta radiação sejam desenvolvidas.

Mas para não acabar num tom demasiado positivo, correndo o risco do esquecimento da seriedade da situação, deixo aqui esta possibilidade desconfortável:

«Vivemos num ponto único na História, em que toda a população será exposta a aparelhos criados artificialmente por nós, emissores de radiação electromagnética não-ionizante que não foi devidamente testada antes de ser implantada. Qual será a responsabilidade imposta aos cientistas, líderes de industria e legisladores que permitiram que esta tecnologia insuficientemente estudada fosse implementada a larga escala? A resposta é simples – não haverá responsáveis. Na altura em que os danos desta tecnologia forem bem conhecidos, que se manifestarão daqui a muitas décadas, todos os responsáveis estarão reformados ou mortos.» -Dr. Darius Leszczynski.

Os Perigos da Radiação 5G para a Saúde

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